USP 09/06/2009 (7) - Relato de Aluno

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Abaixo um e-mail enviado por um aluno que esteve no Ato de 06/09.Para evitar futurospunições manteremos a fonte anônima (Charge de Latufe)


 



FORA PM DO CAMPUS?
FORA PM DO MUNDO
relato sobre a USP

 


O Ato de ontem corria normalmente, exceto alguns policiais que volta e meia provocavam entre a multidão. Por exemplo, num determinado momento um diretor do sindicato orientava uma motorista que ficou assustada com o carro de entre a multidão (e fazer assim o trabalho que deveria ser da CET) quando  foi empurrado por um policial que estava passeando entre a multidão.
Após as pessoas no ato ficarem gritando "Fora PM !" na frente da fileira da polícia em formação de choque pouco depois do Portão Principal e atirarem flores, gritarem coxinha, e "FORA PM DO MUNDO "parecia que nada ia acontecer. Não havia nenhuma tensão entre as pessoas que voltavam o ato e davam-no por encerrado. 
Todos estavam tranquilos achando que tudo havia acabado e que a polícia estava tranquila, quando repentinamente o efetivo de policiais da força tática paramentados com material de choque aumentou na frente do Portão principal e cinco policiais, que, acredita-se, não estavam a observar passarinhos, apareceram no meio da multidão e provocaram as pessoas que passavam. Um amigo gravou tudo e postará em breve no You Tube.
Um grupo começou a gritar "Fora PM!, fora PM!" e os policiais foram gerando cada vez mais atrito.
Neste instante começaram a chover bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo a tal intensidade que pareciam fogos de artifício. Um estudante, diretor do DCE que estava na parte da frente do ato, correu para trás e foi alvejado com uma bala de borracha que se alojou na perna. Um amigo fez um torniquete, pois sangrava muito e retirou-o do local levando-o, infelizmente ao HU (pois lá eles ficahm alunos atendidos nestas situações e encaminahm para a polícia).
Outros estudantes tomaram muitos golpes de tonfa (o cacetete duro com uma barra lateral) quando caíam de vários policiais ao mesmo tempo, como um estudante da ECA. Soube de 6 estudantes que apanharam muito e bombas de efeito moral que caíram sobre seus corpos arrancando nacos de carne quando os atingiram de raspão. 
Neste momento o carro de som que estava na frente da reitoria foi tentar voltar para chamar os companheiros e orientá-los quando a polícia prendeu o sindicalista demitido Claudionor Brandão de cima do carro de som, junto com outro estudante do DCE.
Neste momento fiquei conduzindo pessoas desorientadas e em crise de choro para o CRUSP antes que a fileira da choque chegasse, pois avançava atirando bombas e mais bombas. Neste momento, após vários minutos alguns tentaram resistir principalmente para proteger os ônibus e pessoas confusas que não sabiam para onde ir. Pessoas que não soube do destino e que me preocuparam. 
Observei pela televisão dos porteiros dos blocos ao entrar no CRUSP que os prédios do CRUSP, assim como da FFLCH estavam cercados e soube que os estudantes subiram até lá onde estava acontecendo uma reunião da ADUSP. Notei que o helicóptero dava coordenadas precisas para perseguirem todas as aglomerações onde quer que as pessoas fugissem o CRUSP teve um riso passageiro e não estavam preparados. 
Fui até o sindicato para saber quem havia sido preso e se algo de pior aconteceu por lá, pois vi pessoas apanhando na praça do relógio, no centro da universidade e imaginei que os policiais seguissem ao sindicato depois de pedir a um estudante da matemática que repassasse um email para mim do CRUSP.
Contornamos o prédio, onde notamos que a polícia havia recuado, mantendo apenas uma fileira em um lado. Não sei se as pessoas viram que o prédio estava todo cercado antes e que a fileira da choque estava no P1 caso houvesse resistência ativa contar a força tática. Descobrimos lá que bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral interromperam a reunião da ADUSP e que uma caiu ao lado da diretora da faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas que estava junto a outras professoras que iam negociar com a polícia. 
Outra bomba de efeito moral caiu ao lado da professora Adma. Parecia que o prédio ia ser invadido, mas conseguiram negociar.
Felizmente nada de pior aconteceu, mas gostaria que os professores também se pronunciassem, pois a media mentirá e dirá absurdos.
Houve posteriomente um ato que se transformou numa assembléia na avenida em frente ao prédio de Filosofia, Letras e Ciências Humanas para encaminhar atividades para hoje.
Descobri que os companheiros mais próximos estavam bem fora balas de borracha e fragmentos de bombas de efeito moral. Todos estavam muito bravos e quando a polícia mandou avisar indiretamente que deveriam sair da avenida, não saíram.
Muitos alunos desceram de várias unidades, mas todos estão sendo observados. Há câmeras por todas parte, a universidade mantém um serviço de inteligência contra ativistas o GESP, o chefe da guarda universitária é um policial civil Ronaldo Penna que além disso possui um empresa de vigilância e havia infiltrados.
Soube de uma aluna que, pouco antes de chegar, abordou um sujeito perguntando: - O que acha que está acontecendo ? 

Ele respondeu: - eu não sei!
Ela perguntou: - Você é de qual unidade ? 
Ele disse: - Educação física.
Ela respondeu: - Eu também, qual curso? 
Ele disse: - Tenho que ir, tenho que ir ...
Explicaram pra ela o que é um P2, o policial infiltrado e que estávamos sendo vigiados por toda a parte.     
Hoje continuará a tensão, e espero que os professores tenham coragem, pois ontem, toda a USP foi atacada, estudantes, funcionários e professores. 
Apesar de que, deve-se lembrar, a medida que aprovou que toda a ocorrência de ativistas na USP demande que se chame a polícia foi aprovada no Conselho Universitário (Na USP chamado C.O. para evitar que a sigla seja CU) sob pressão do candidato a reitor, diretor do Direito e de extrema direita, João Grandino Rodas.
Além disso, deve-se lembrar que a medida que deu jurisprudência para a polícia contra os piquetes foi a lei anti-greves do interdito proibitório que faz com que se utilize um mandato de reintegração de posse de um prédio que não se tem posse para evitar o piquete. Assim como na Embraer proibe-se panfletar a menos de 5 km de raio da fábrica.
Sentimos agora, mas está em plena vigência desde o ano passado o AI-5 (Ato institucional número cinco, lei do regime militar que proibia todas as atividades políticas) contra o ativismo na USP e em todos os sindicatos que se neguem a apenas regular o valor da mercadoria trabalho em acordos espúrios com os patrões controlando os trabalhadores para que aceitem demissões neste período de crise.
Deve-se lembrar também que a Polícia militar é uma força para-militar brasileira que é parecida com muitas outras que permaneceram em operação em países que passaram por ditaduras mal resolvidas. É um tipo de força militar que é utilizada contra a população pobre com maior violência conforme menos o valor da vida em questão, como se vê me paraisópolis e nas ruas de São Paulo e que é diferente da polícia que investiga crimes e registra ocorrências cotidianas. 
É preciso que as pessoas não tratem o assunto como Fora PM com suas botas espúrias de nosso campus sagrado, mas que coloquem com todas as letras e que se politize o debate: Fora PM do mundo! 

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