UNIVESP - Por trás das nobres causas

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UNIVESP

 

Por dentro do cavalo de tróia

 

A relação aluno professor

 

“acontece quando da visualização do professor na

televisão. Isto já promove uma certa relação

pessoal, do mesmo tipo da que acontece entre o

espectador e um ator. Embora esta interação seja

de "mão única" é nela que se busca a motivação

do alunado pela aprendizagem.”*

 

Uma ótima oportunidade para você,

professor, liberar o Serginho Groisman ou Luciano

Huck que existe dentro de você

* trecho do projeto a UNIVESP

 

Por trás das nobres causas

 

A UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) é um projeto do Governador do estado que combina as três universidades paulistas para criação de cursos por EaD (Ensino a Distância) e vai abrir, já em 2010, 6mil vagas nos cursos de: Ciências da Natureza, Biologia e Pedagogia. Apesar da EaD ser velha conhecido no estado, esse novo projeto vem envolto em uma euforia tecnocrata e fundamenta sua defesa em sérios problemas da educação pública do

estado, mas não é a solução para nenhum deles. Um grave problema da educação estadual é o

acesso elitizado à universidade pública e de qualidade .No entanto, é um erro crer que a UNIVESP trará alguma democratização ao acesso. Visto que o projeto não irá inserir estudantes de baixa renda, excluídos atualmente, nas universidades estaduais de qualidade (USP, UNESP e UNICAMP), mas irá colocá-los em uma universidade nova, de caráter experimental, (na

qual os cursos são constituídos por tele-aulas e materiais didáticos) que em nada se assemelha ao ensino de “excelência” do qual usufruímos. O governo usa da baixa qualidade do ensino público, criada por sua administração, para defender a UNIVESP. Alega que o ensino público carece de professores e que a UNIVESP irá oferecer graduação de nível superior para cerca 60mil professores do estado e da prefeitura que não a possuem. Segundo o MEC a demanda total de professores é na ordem de 725.991 docentes e há 1,4 milhões em exercício. Apesar da real carência de professores nas áreas de exatas e biológicas, a demanda atinge apenas a rede pública, porque ela paga mal e oferece péssimas condições de ensino. Faz sentido formar um professor fora do lugar onde ele passará o resto de sua vida: a sala de aula? É possível formar um pedagogo com qualidade privando o do contato direto entre professor/aluno e aluno/aluno?É importante lembrar que o estado de São Paulo já investiu, em outros momentos, muito dinheiro em programas do tipo de EaD : os custos foram altos, o resultado insatisfatório e nenhuma das “grandes promessas” foi cumprida.

As escolas privadas irão contratar professores formados a distância? Parece-me óbvio que não. O governo, por trás de uma máscara de melhoria do ensino público, criará professores desqualificados que não terão como fugir do ensino público. Uma mão de obra precária, para um salário precário. Outro argumento freqüente é a falta verbas para investir em educação presencial.. O ente mais rico da Federação(SP) aplica, em investimentos públicos,apenas 3,5% do PIB em Educação, 1,1% menos que a média nacional, que já é baixa se comparada a outros países. Nas universidades públicas paulistas os investimentos na graduação beiram apenas 2% do ICMS, os outros 8% vão para projetos de pesquisa epós-gradução. Falta dinheiro ou vontade política?Os 25 milhões investidos pelo governo do estado financiam a UNIVESP por apenas 2 anos, sendo que o governado afirmou que este dinheiro deveria ter saído de verba das universidades. O que coloca a clara perspectiva de que futuramente parte das verbas investidas em ensino presencial sejam gastas com EaD. O governo também explica que a EaD é a única forma de levar o ensino superior a lugares longínquos, onde não há universidades, no entanto esconde que a UNIVESP usará, inicialmente, como laboratórios presenciais os campi das universidades estaduais, mostrando que não é esta a prioridade do projeto.Não se trata de rechaçar a EaD, ela já teve resultados bons e ruins no Brasil. Mas há necessidade de se atentar ao projeto precário da UNIVESP. Não há como solucionar os problemas educacionais em um

passe de mágica é necessário uma política séria com investimentos inteligentes e responsabilidade para com o serviço público e seus funcionários.

 

Fontes: números referentes dos últimos 2 anos retirados de: folha de São Paulo, ADUSP, Condsef, APP e Anteprojeto da UNIVESP aprovado pelo CO.

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