Sobre a Revolução Negra do Haiti

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O Texto abaixo vem circulando na rede, no entanto não sei dizer de quem (ou que organização) é a autoria.
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Em meio aos festejos previstos para o Bicentenário das revoluções de independência americanas de 1810, é significativa a omissão da revolução haitiana de 1804, a primeira, a mais radical e mais inesperada de todas elas. Nela foram os ex-escravos de origem africana – isto é, a classe dominada por excelência, e não as novas elites “burguesas” de composição européia branca – que tomaram o poder para fundar uma república chamada, com razão, negra. Negra e ao mesmo tempo com nome indígena, já que Hayti é o velho nome taíno da ilha. Haiti, até então chamado Saint Domingue, era de longe a colônia francesa mais rica do Caribe. Uma sociedade agrária e escravagista produtora de açúcar e café, com meio milhão de escravos, que proporcionava mais da terça parte das riquezas francesas vindas das colônias. A Constituição do Haiti foi promulgada a partir dos esboços redigidos em 1801 pelo liberto Toussaint Louverture, morto nas prisões napoleônicas, quem havia encabeçado a revolta antiescravista desde 1791. Diferentemente do que acontecerá com outras independências americanas, há neste silenciado caso, que custou 200.000 vidas, uma radical descontinuidade (jurídica, sem dúvida, mas também, e sobretudo, étnico-cultural) com relação à situação colonial. O ideal de igualdade da Revolução Francesa é levado mais além dela mesma, que terminou pretendendo impedir a abolição da escravidão no Haiti. Os escravos haitianos compreenderam logo que na noção de “universalidade”, proclamada pelos Direitos Universais do Homem e do Cidadão, não cabia sua “particularidade”. A radicalização filosófica inédita da generalização arbitrária “agora somos todos negros”, incluindo explicitamente as mulheres brancas, os polacos e os alemães (sic), deixa claro que para os revolucionários haitianos negro é uma denominação política e não biológica, que destrói a falácia racista e aspira a um novo universal a partir da generalização do particular (mais) excluído.

(baseado no texto de Eduardo Grüner, “A partir de hoje somos todos negros”, inédito, 2009.)

Convocamos a retomar a palavra de ordem haitiana e instalá-la nas ruas e nos debates públicos, não apenas para chamar atenção sobre a história silenciada desta revolução negra de 1804 frente às homenagens do Bicentenário criollo, senão também pela carga de ruptura que ainda porta intacta a idéia de que todos e todas podemos nos definir como negros, em meio à crescente intolerância em que vivemos. Cartazes, auto-adesivos, panfletos, grafite, advertências em publicações e qualquer outro meio podem levar a estender essa campanha anônima e coletiva por toda América Latina e o resto do mundo. * * * “

Todos los ciudadanos, de aquí en adelante, serán conocidos por la denominación genérica de negros”.

Artículo 14, Constitución Haitiana de 1805. En medio de los festejos previstos en torno al Bicentenario de las revoluciones independistas americanas de 1810, es llamativa la omisión de la revolución haitiana de 1804, la primera, la más radical y la más inesperada de todas ellas. Allí fueron los ex esclavos de origen africano –es decir la clase dominada por excelencia, y no las nuevas elites “burguesas” de composición europea blanca- los que tomaron el poder para fundar una república llamada, justamente, negra. Negra y a la vez con nombre indígena, ya que Hayti es el viejo nombre taíno de la isla. Haití, hasta entonces llamada Saint Domingue, era por lejos la más rica colonia francesa en el Caribe. Una sociedad plantadora y esclavista productora de azúcar y café, con medio millón de esclavos, que proporcionaba más de la tercera parte de los ingresos franceses. La Constitución de Haití fue promulgada sobre los borradores redactados en 1801 por el liberto Toussaint Louverture, muerto en la cárcel napoleónica, quien había encabezado la revuelta antiesclavista desde 1791. A diferencia de lo que sucederá con otras independencias americanas, hay en este silenciado caso, que costó 200.000 vidas, una radical discontinuidad (jurídica, sin duda, pero también y sobre todo, étnico-cultural) respecto de la situación colonial. El ideario de igualdad de la Revolución Francesa es llevado más allá de ella misma, que terminó pretendiendo impedir la abolición de la esclavitud en Haití. Los esclavos haitianos se enteraron muy pronto de que en la noción de “universalidad” proclamada por los Derechos Universales del Hombre y del Ciudadano, no tenía lugar su “particularidad”. La radicalidad filosófica inédita de la generalización arbitraria “ahora todos somos negros”, incluyendo explícitamente a las mujeres blancas, los polacos y los alemanes (sic), deja claro que para los revolucionarios haitianos negro es una denominación política y no biológica, que des-construye la falacia racista y aspira a un nuevo universal desde la generalización del particular (más) excluido. (En base al texto de Eduardo Grüner, “A partir de hoy somos todos negros”, inédito, 2009.) Convocamos a retomar la proclama haitiana e instalarla en la calle y en los debates públicos, no sólo para llamar la atención sobre la historia silenciada de esta revolución negra de 1804 ante los homenajes del Bicentenario criollo, sino además por la carga disruptiva que aún porta intacta la idea de que todos y todas podamos definirnos como negros, en medio de la creciente intolerancia en que vivimos. Carteles, afiches, autoadhesivos, volantes, graffiti, avisos en publicaciones y cualquier otro medio puede redundar en extender esta campaña anónima y colectiva por toda América Latina y el resto del mundo.

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