Editorial do Jornal Uso Utópico / Carta de Apresentação do Coletivo

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O texto abaixo foi elaborado não só como editorial de nosso primeiro jornal como também uma apresentação do nosso coletivo.

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Há 75 anos era criada a Universidade de São Paulo, que desde sua fundação assumiu como responsabilidade acolher e cuidar dos filhos da elite paulistana de maneira a prover para estes os meios e conhecimentos necessários para se manterem no poder. O projeto foi bem sucedido, e hoje, quase um século depois, além de conseguir formar políticos, empresários e profissionais liberais que comandam o país também consegue manter afastada a população pobre da cidade de São Paulo.

Essa população que sustenta, através de impostos, o ensino e pesquisas realizados pela universidade, mas não tem acesso ao resultado desses trabalhos. Essa população que é obrigada a encarar uma educação pública fundamental precária, e se tentar ter acesso ao ensino superior assiste a uma cruel inversão de papéis sendo obrigada a pagar pelos seus estudos.Essa população que serve como sustentáculo financeiro da tão aclamada USP sequer têm conhecimento de qual o papel dessa universidade em nossa sociedade.

Nosso coletivo (SUJEITO COLETIVO) surge diante da inoperância do Movimento Estudantil em tratar essa pauta. É tempo de admitirmos que uma vez aqui dentro também compactuamos com essa estrutura perversa, é hora de levar esse debate para além dos muros de nossa universidade.

O Sujeito Coletivo não tem a ambição de dar voz a essas pessoas, não procura comandar nenhuma revolução contra o poder vigente e sequer acredita que poderá por si só resolver todos os problemas dessa universidade. O que procuramos é apontar as imensas contradições que permeiam nosso dia-a-dia, denunciar os mecanismos que sustentam essa estrutura desigual e incomodar aqueles que se beneficiam dessa situação.

A FUVEST que comanda o vestibular mais obscuro do país, o conselho universitário que continua combatendo políticas afirmativas de acesso,a imprensa golpista que mantém há décadas um caso de amor com a elite vigente, enfim todo aquele e aquela que for cúmplice desse esquema,será por nós denunciado.

E se nosso conteúdo é distinto, também é a forma. Embora não estejamos aqui para propagar algum novo tipo de vanguarda estética, também não iremos cair no velho discurso panfletário ao qual estamos tão acostumados. Para combater essa elite caduca, é preciso pensar e agir diferente. Por isso, o jornal não é um fim em si mesmo, mas faz parte junto com o blog, os debates e tantas outras atividades, de um processo que procura fortalecer nosso senso crítico.

Contra esse parasita social que desde os primórdios suga a força vital de nossa universidade, testamos agora um novo remédio. As cobaias são tanto vocês quanto nós, descubramos juntos qual o resultado.

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