O Outro Manual da FUVEST

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Parabéns! Parabéns! Após um ano (ou mais) de horas de estudo, finais de semana perdidos, namoros acabados e vida social destruída você finalmente passou pelo tão temido vestibular da FUV(D)EST. Mas se você acha que todo esforço empreendido nessa empreitada foi o suficiente, cá estamos nós para acabar com o que resta da sua alegria, nesse diminuto manual iremos explanar sobre dados obscuros de nossa querida e idolatrada, salve, salve Fundação Universitária para o Vestibular!!!

Comecemos falando de você aluno da escola pública, fique sabendo que tem direito a magníficos, extraordinários, exorbitantes 3% na nota final do vestibular? É isso mesmo, nossos especialistas calcularam todos os reveses sofridos por aqueles que nunca tiveram acesso a um ensino de qualidade, que muito possivelmente trabalham para ajudar no sustento de casa e que passaram a maior parte da vida sem acesso a uma biblioteca de qualidade, e chegaram a conclusão que esses 3% suprem todos os problemas. Obviamente não consideramos problemas étnicos raciais, afinal no nosso país o racismo é um mito e essa história de escravidão de negros e extermínio de índios é história da carochinha. No vestibular da FUVEST apenas 1,77% dos negros e 2,02% dos pobres que fazem a prova são aprovados. Para os brancos e classe média ou alta, a taxa de aprovação é quase 10 vezes maior.

A SEGURANÇA de nossas provas também é excepcional, saiba que sua redação da segunda fase está segurissima, afinal ninguém pode tocá-la, de fato nem você mesmo poderá a ver depois que fizer a prova, nossos dados estão protegidos e nem o presidente da república pode tocar em nossos documentos e se alguém pensar em acionar o ministério público, logo os melhores escritórios de advocacia serão acionados por nós (sim, passamos por cima da própria constituição pelo bem dessa estimada prova). Mas fique tranqüilo, nosso processo de seleção é bem justo e igualitário, infelizmente ninguém pode saber que critério é esse, já que apenas um seleto grupo de professores pode fazer a seleção e estão submetidos a um voto de silêncio sobre o assunto.

Vale dizer que contamos com a diferença entre candidatos, afinal não há como comparar um dos 849 candidatos de letras com as 35 preciosidades do curso de cinema. Só pela diferença no número de vagas conseguimos nos certificar que se algum pobre entrar em nossa universidade será para se tornar um professorzinho qualquer enquanto os postos destinados a nossa bela burguesia continuam estrategicamente  bem guardados. Afinal ninguém quer um cineasta que fale sobre pobreza ou um advogado que defende a lei para o povo?

Vale lembrar, que passar em nosso vestibular é entrar na melhor universidade do país, que está estrategicamente localizada entre o Morumbi, Alphavile,Butantã e Cidade Jardim, o acesso ao espaço público é controlado e apenas nossos alunos podem usufruir dessa universidade².

A Universidade de São Paulo foi pensada por e para a elite burguesa da cidade de São Paulo, pouco importa se o imposto que sustenta essa universidade é o ICMS (3,57% mensal, algo perto de 3,8bilhões), que é previamente calculado na compra de produtos de cada cidadão, e assim sendo o trabalhador do Grajaú paga tanto quanto o burguês de higieanopolis, o importante é que mantemos uma sociedade JUSTA e IGUALITÁRIA, onde os ricos continuam sendo ricos e os pobres continuam pagando o pato.

E não se preocupe, ano que vem lançaremos a espetacular UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), assim a ralé que ainda acredita no estudo de humanidades e baboseiras do tipo terá cursos on-line (acabando com a prática milenar de ensino entre professor e aluno) para que possamos aumentar o número de vagas em cursos menos importantes sem prejudicar o creme de La creme de nossa instituição.

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¹Nas Universidade Federeis a cota para estudantes oriundos de escola pública  agora é de 50%

²Nessa semana mesmo um não estudante foi espancado por seguranças da universidade por tentar usar computadores destinados aos alunos.

 

FATOS RÁPIDOS

 Qualquer concurso público é obrigado a divulgar seus critérios de correção e se questionado mostrar as provas corrigidas. As provas de segunda fase da FUVEST são queimadas pouco tempo depois de corrigidas, impedindo qualquer tipo de apelação.

 Mesmo sem uma avaliação socioeconômica rígida (ou seja qualquer um pode mentir)47.2% dos alunos matriculados admitem ter uma renda familiar entre 3000 à 10.000 REAIS.E 11% uma renda ainda maior.Isso é mais ou menos o quanto você tem em casa?

 Antonio Evaldo Comune, diretor executivo da FUVEST tem uma pereba de cinco centímetros de diâmetro em sua nádega esquerda!

 O maior curso da USP (letras) recebe 549 alunos por ano, totalizando cerca de sete mil alunos.No entanto faltam cerca de 17 salas de aula para comportar esses alunos.

63.2% dos aprovados no ano passado só cursaram escolas particulares, em contra-partida a apenas 21.8% fizeram apenas ensino público (conte aí os que fizeram ensino técnico).

 Reza a lenda que um garoto tentou vender sua alma ao capeta para passar no vestibular. O chifrudo falou que tudo bem,se fosse pra algum curso da FFLCH. POLI, Direito e Medicina estavam fora de questão

Não sabe inglês?  A FUVEST avalia o “capital cultural” dos candidatos, ou seja, seu acúmulo de informação e de treino. Quem consegue só estudar por 11 anos, fazer cursinho e aula de inglês, tem vantagem. Há quem diz que, se simplesmente a prova de inglês fosse eliminada, o perfil dos aprovados já mudaria consideravelmente, pois é o mais elitista dos conhecimentos. Mas imagina, não dá pra estudar Letras - Francês sem saber a língua do Tio Sam. Que tipo de conhecimento está sendo avaliado no vestibular?

O Governador José Serra prestou vestibular três vezes antes de conseguir entrar na USP, foi nessa época em o jovem Zezinho perdeu seus longos cabelos e passou a parecer tanto com o Mr Burns.

A Universidade de São Paulo é a única do país que ainda não aprovou o sistema de COTAS.

 0,5% dos estudantes da USP são indígenas, essa é a menor taxa do Brasil inteiro.

 

SURPRESO? INDIGNADO?

Vamos discutir a questão e lutar por um acesso mais justo a essa universidade que deveria ser de todos:

  http://groups.google.com.br/group/sujeito-coletivo

 

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