Tuesday 22 november 2011 2 22 /11 /Nov /2011 13:45

Dossiê PM: A Era das Chacinas

Apresentação

 

A fim de contribuir para um melhor entendimento acerca dos recentes acontecimentos envolvendo a Polícia Militar e estudantes da USP, elaboramos o presente material, a partir de relatórios, notícias e textos coletados da internet, para esclarecer alguns pontos da questão.

 

Diferentemente do que diz a grande mídia, conhecidamente parcial e tendenciosa, os estudantes da USP, que protestam contra a presença da PM no campus, não reivindicam simplesmente pelo privilégio de poder fumar maconha impunemente na universidade, tal afirmação soa até absurda. O incidente envolvendo estudantes portando maconha e a PM foi apenas o estopim de uma insatisfação muito maior a respeito da atuação da Polícia Militar, a questão é muito mais profunda: os estudantes questionam a própria corporação e a sua função na sociedade.

 

No Brasil, a Constituição Federal de 1.988 proíbe a pena de morte (artigo 5º, inciso XLVII). Entretanto, podemos dizer que ela tem sido “aplicada ilegalmente”. São chacinas e execuções sumárias praticada por forças policiais, em serviço e fora de serviço, e mortes de pessoas que se encontram sob custódia e responsabilidade do Estado. Falamos de mortes que estão diretamente relacionadas com torturas, maus tratos e condições degradantes a que são submetidos(as) os(as) detentos(as). São também as mortes de adolescentes nas unidades da FEBEM/Fundação CASA. Além das mortes de pessoas internadas em manicômios e casas de internação.

 

A polícia e o Estado utilizam a violência letal como uma forma de controle social (intimidando e silenciando quem ousa questionar uma vida miserável e submissa), direcionando-a, na maioria dos casos, contra pessoas não identificadas, em geral pobres, que são rotuladas como “suspeitas” de terem cometido algum crime ou mesmo de apresentarem uma “atitude suspeita”. As vítimas dessa “pena de morte” são, em sua grande maioria: jovens entre 15 e 24 anos de idade, moradores das periferias das grandes cidades, afro-descendentes em sua grande maioria e pobres no geral.

 

A impunidade em relação aos casos de homicídios nas periferias é enorme. Não existe estímulo por parte dos organismos investigadores do Estado em revelar a autoria de tais mortes, muitas vezes porque existe o envolvimento de policiais. Casos envolvendo policiais nas resistências seguidas de morte raras às vezes são investigados e chegam à justiça. Na sua maioria são arquivados e os policiais continuam a agir, sem qualquer responsabilização.

 

A impunidade impera sobre cada um desses casos, o que passa a mensagem de que essas mortes são toleradas, “aceitas” e, em muitos casos, desejadas. Aceitar a morte de qualquer pessoa pela ação ou omissão dos agentes do Estado significa aceitar uma sociedade violenta, cruel, autoritária e sem respeito aos direitos humanos. Qualquer pessoa pode se tornar vítima dessa “pena de morte”. Certamente que as classes populares são os principais alvos desse horror, já que além de terem seus direitos surrupiados cotidianamente, se vêem furtados do acesso aos direitos mais básicos e fundamentais.

 

Por isso, precisamos nos perguntar: EXISTE PENA DE MORTE NO BRASIL?


Para ler o documento na íntegra, clique no link abaixo:

 DOSSIÊ PM: A Era das Chacinas

By Sujeito Coletivo
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Sunday 21 june 2009 7 21 /06 /Jun /2009 23:45

UNIVESP

 

Por dentro do cavalo de tróia

 

A relação aluno professor

 

“acontece quando da visualização do professor na

televisão. Isto já promove uma certa relação

pessoal, do mesmo tipo da que acontece entre o

espectador e um ator. Embora esta interação seja

de "mão única" é nela que se busca a motivação

do alunado pela aprendizagem.”*

 

Uma ótima oportunidade para você,

professor, liberar o Serginho Groisman ou Luciano

Huck que existe dentro de você

* trecho do projeto a UNIVESP

 

Por trás das nobres causas

 

A UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) é um projeto do Governador do estado que combina as três universidades paulistas para criação de cursos por EaD (Ensino a Distância) e vai abrir, já em 2010, 6mil vagas nos cursos de: Ciências da Natureza, Biologia e Pedagogia. Apesar da EaD ser velha conhecido no estado, esse novo projeto vem envolto em uma euforia tecnocrata e fundamenta sua defesa em sérios problemas da educação pública do

estado, mas não é a solução para nenhum deles. Um grave problema da educação estadual é o

acesso elitizado à universidade pública e de qualidade .No entanto, é um erro crer que a UNIVESP trará alguma democratização ao acesso. Visto que o projeto não irá inserir estudantes de baixa renda, excluídos atualmente, nas universidades estaduais de qualidade (USP, UNESP e UNICAMP), mas irá colocá-los em uma universidade nova, de caráter experimental, (na

qual os cursos são constituídos por tele-aulas e materiais didáticos) que em nada se assemelha ao ensino de “excelência” do qual usufruímos. O governo usa da baixa qualidade do ensino público, criada por sua administração, para defender a UNIVESP. Alega que o ensino público carece de professores e que a UNIVESP irá oferecer graduação de nível superior para cerca 60mil professores do estado e da prefeitura que não a possuem. Segundo o MEC a demanda total de professores é na ordem de 725.991 docentes e há 1,4 milhões em exercício. Apesar da real carência de professores nas áreas de exatas e biológicas, a demanda atinge apenas a rede pública, porque ela paga mal e oferece péssimas condições de ensino. Faz sentido formar um professor fora do lugar onde ele passará o resto de sua vida: a sala de aula? É possível formar um pedagogo com qualidade privando o do contato direto entre professor/aluno e aluno/aluno?É importante lembrar que o estado de São Paulo já investiu, em outros momentos, muito dinheiro em programas do tipo de EaD : os custos foram altos, o resultado insatisfatório e nenhuma das “grandes promessas” foi cumprida.

As escolas privadas irão contratar professores formados a distância? Parece-me óbvio que não. O governo, por trás de uma máscara de melhoria do ensino público, criará professores desqualificados que não terão como fugir do ensino público. Uma mão de obra precária, para um salário precário. Outro argumento freqüente é a falta verbas para investir em educação presencial.. O ente mais rico da Federação(SP) aplica, em investimentos públicos,apenas 3,5% do PIB em Educação, 1,1% menos que a média nacional, que já é baixa se comparada a outros países. Nas universidades públicas paulistas os investimentos na graduação beiram apenas 2% do ICMS, os outros 8% vão para projetos de pesquisa epós-gradução. Falta dinheiro ou vontade política?Os 25 milhões investidos pelo governo do estado financiam a UNIVESP por apenas 2 anos, sendo que o governado afirmou que este dinheiro deveria ter saído de verba das universidades. O que coloca a clara perspectiva de que futuramente parte das verbas investidas em ensino presencial sejam gastas com EaD. O governo também explica que a EaD é a única forma de levar o ensino superior a lugares longínquos, onde não há universidades, no entanto esconde que a UNIVESP usará, inicialmente, como laboratórios presenciais os campi das universidades estaduais, mostrando que não é esta a prioridade do projeto.Não se trata de rechaçar a EaD, ela já teve resultados bons e ruins no Brasil. Mas há necessidade de se atentar ao projeto precário da UNIVESP. Não há como solucionar os problemas educacionais em um

passe de mágica é necessário uma política séria com investimentos inteligentes e responsabilidade para com o serviço público e seus funcionários.

 

Fontes: números referentes dos últimos 2 anos retirados de: folha de São Paulo, ADUSP, Condsef, APP e Anteprojeto da UNIVESP aprovado pelo CO.


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Friday 19 june 2009 5 19 /06 /Jun /2009 02:20





Cerca de cinco mil manifestantes ocuparam o vão livre do MASP e caminharam até o a faculdade de direito da USP em protesto a invasão da cidade universitária pela polícia militar.

Em um momento de intenso debate entre a opinião pública, e uma forte queda de braço entre reitoria da USP e o movimento de greve,um ato dessas proporções ,resulta em grande vitória simbólica.

Se no começo da semana a reitora lançou nota onde quase todos os diretores de faculdades da USP apoiavam sua permanência no poder, hoje quando parte significativa dos estudantes, funcionários e professores saíram as ruas, ficou claro que uma parcela importante da comunidade universitária não encara mais Suely Vilela como um reitora,ou mesmo interlocutora possível.carrega  grande valor simbólico.Encastelado lá está João Grandino Rodas, diretor da faculdade, propositor da ordem do CO que legitima a invasão da polícia no campus universitário e forte candidato a reitor nas eleições desse ano.Não só isso, foi o próprio Rodas que em 2007 abriu procedente de intervenção policial na universidade, quando ordenou que a tropa de choque expulsasse estudantes e movimentos sociais que faziam uma ocupação política e cultural na Faculdade do largo de São Francisco.Desde então Rodas tem se apresentado como braço forte do conservadorismo dentro da USP e alçado rapidamente lugares de prestigio entre a elite paulistana.

Por essas e outras que o principal debate mantido hoje durante o ato foi centrado na questão de democracia universitária. Do que adiantaria expulsar uma Suely e ganhar um Rodas.É consenso entre estudantes,professores e funcionários que a luta atual não é somente a expulsão de Suely Vilela da reitoria e da PM do campus,mas a garantia que tais tipos de atores nunca mais pisem no palco da universidade.


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Wednesday 17 june 2009 3 17 /06 /Jun /2009 17:05
Mas há primaveras

A comunidade universitária e a opinião pública têm procurado, atônitas, acompanhar os acontecimentos recentes na Universidade de São Paulo. Como acreditar que professores, alunos e funcionários da USP, em especial da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, sejam criminosos cujos atos merecem ser severamente reprimidos com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás pimenta? Como acreditar que querem destruir seu patrimônio, agir com violência e causar danos aos demais? quem acredita nisso? por quê? 

Se se compararem as informações e declarações dos últimos dias, será possível repor a situação. Em plena negociação salarial, em 25 de maio, a Reitoria fechou as portas do prédio e não deixou parte da comissão de negociação entrar. Ao agir assim e quebrar a regra da cultura democrática instituída, não era improvável que soubesse da reação dos estudantes que, impedidos de entrar, poderiam forçar a porta e fazer uma “invasão” relâmpago. Mas, depois dos acontecimentos de 2007, havia uma resolução do Conselho Universitário autorizando a Reitoria a chamar a polícia quando julgasse necessário, a qual foi aplicada.

Docentes e estudantes sabem ensinar e estudar, principalmente. Talvez até, de um modo um tanto canhestro e desafinado, também saibam protestar. Alguns estudantes gritam e chegam a tirar cadeiras e pô-las diante das salas de aula, impedindo a entrada nelas – sinais de sua impotência, de sua insegurança e da desinformação acerca de outros canais de manifestação mais legítimos e eficazes, de que os professores (ainda) dispõem. Mas essa alegada “violência” estudantil não tem parâmetro com as armas usadas pela PM, treinadas para eliminar malfeitores, e descontentes... Inacreditavelmente, a atual reitora da Universidade de São Paulo pensa que sim! 

Isto é ofender a USP e todos os seus membros. Pretextando grupelhos, radicais e sabe-se lá mais o quê, a Reitoria entregou a direção da universidade a um comandante policial. Ao ser alertada por um docente de que a presença da polícia no campus poderia causar graves danos físicos e morais a membros da comunidade, e de que as armas utilizadas pelas tropas contemplavam escopetas e metralhadoras, a reitora limitou-se a dizer que a escolha das armas adequadas à ação policial não era da sua alçada. A reitora transferiu sua responsabilidade pela vida dos estudantes, professores e funcionários, das crianças e adolescentes que estudam na Escola de Aplicação, e de todos aqueles que livremente transitam pelo campus Butantã da USP, a um coronel da PM.

Os professores da USP não estavam em greve. A campanha salarial e a carreira docente importam aos professores porque sabemos o efeito nefasto que salários aviltados causam ao ensino, como temos visto na precarização do ensino secundário. Os mais velhos se lembram de como o ensino médio público era padrão de qualidade para a escola privada, o que hoje nos parece um sonho desaparecido. A recuperação salarial nos importa para que a Universidade pública não passe a ter salários tão baixos que os melhores profissionais prefiram se afastar dela e servir apenas à iniciativa privada, com seu principal interesse no lucro, e levando ao desaparecimento das investigações independentes que interessam ao coletivo. Lutar por salários, todos sabem, é lutar por deixar uma universidade com melhor qualidade e para que a USP tenha o que comemorar daqui a 25 anos.

Os estudantes da USP não estavam em greve. O temor relativo à Univesp, ou Universidade Virtual do Estado de São Paulo, provém da convicção de que a expansão virtual da Universidade se fará à custa da qualidade do ensino e em detrimento das políticas de permanência estudantil por que vêm lutando, da construção de salas de aula presenciais, bibliotecas, laboratórios, moradias e restaurantes universitários, temor compartilhado por alguns professores que relataram desconfianças na implantação do Programa. 

Todos estes são assuntos importantes para homens e mulheres que, trabalhando dentro da Universidade, abdicaram de ser meros consumidores e reprodutores de um saber para, com diversas dificuldades, se tornarem sujeitos de conhecimento, de ação e de transformação da sociedade. Requeriam, pois, que decisões dessa monta fossem tomadas com o conhecimento da ampla maioria da comunidade acadêmica, e não por decretos e resoluções. Todavia, recusando-se a negociar, a esclarecer, a Reitoria da USP teve como única resposta para a dificuldade do momento inventar uma ocupação para chamar a polícia. No dia 9 de junho os professores em assembléia, pensando em conjunto como retomar as negociações, ouviram tiros e gritos que dificilmente esqueceremos. Do prédio da Reitoria, de uma de suas janelas, umas dez cabeças assistiam ao lúgubre espetáculo de alunos e professores fugindo das bombas e sendo acuados no prédio da História. Apesar disso, e embora vários colegas tenham tentado contatos com a reitora, a fim de evitar um desfecho de proporções inimagináveis, ninguém, em momento algum, atendeu aos chamados dos docentes. Contatado, finalmente, o governador se calou: as armas já tinham falado por ele. Passado o furacão, reitoria e aliados vêm a público se manifestar e justificar atos injustificáveis. 

O tecido universitário está desfeito. Todos os que defendem uma universidade pública, com direito a discussões, propostas, ações solidárias e coletivas, deixamos de reconhecer a reitora como interlocutora de nossa prática acadêmica. É verdade que, dentro e fora da Universidade, há os que aprovam a ação da polícia, alegando destruição do patrimônio público; desqualificam a decisão das assembléias em favor da greve, apelando para o direito dos que querem aula, embora não compareçam a elas; contestam os piquetes de funcionários e alunos, argumentando serem contra uma “violência generalizada”. Essas mesmas vozes recorrem a proposições vagas e metafísicas, que, descoladas de seu contexto político, ridicularizam o direito “à diferença”, “à opinião” etc.; mas se calam diante de questões materiais decisivas para a Universidade estadual, como a destruição do patrimônio público perpetrada, esta sim, pela polícia e por fundações privadas instaladas no interior da USP. Negando o direito à greve e a piquetes, propõem em seu lugar que cada um faça o que bem entender, desde que confortavelmente instalados em seus gabinetes particulares, ao abrigo do espaço coletivo e presencial de discussão. Parecem supor que a condenação das assembléias de professores e estudantes é feita ainda em favor do direito do aluno, como pagador de impostos, de ter sua mercadoria-aula. Ao sobreporem a figura do consumidor à do cidadão, transferem a cultura da universidade privada para dentro da Universidade pública, transformando os grevistas em anti-cidadãos-vendedores que não cumprem sua parte no troca-troca do mercado – como se estes não pagassem também seus impostos e não tivessem direito a forma alguma de dissidência. Certamente que, assim, esse discurso cala-se diante da destruição da Universidade pública levada a cabo por governos neoliberais e encobre sua adesão à mesma ordem de coisas, sob a capa de uma pretensa motivação pacifista.

Neste sentido, a Universidade deve se envergonhar de que uma parte do seu corpo docente e discente não condene a ação policial contra atos de caráter político: pois isso significa que essa parte não se importa com o coletivo e com o tipo de conhecimento e ética que estão sendo transmitidos nessa Universidade. A sociedade deve saber disso e querer que, na Universidade de São Paulo, os professores, os médicos, os arquitetos, os atores, os engenheiros, os biólogos, os psicólogos e todos os que aí se formam, com a contribuição de todos nós, visem mais ao bem coletivo que ao seu único e próprio lucro. E fazer parte da coletividade implica ter de olhar para além do seu escritório particular, do seu consultório e da sua sala de aula.

Agora a Universidade de São Paulo está em greve, exigindo a retirada imediata e definitiva da polícia no campus, para que retornem as condições de diálogo entre todos os envolvidos. Mas desde que a Universidade foi violentada com a permissão, ou pior, a mando de seus dirigentes, os professores requerem que a atual reitora se afaste do cargo e torne a ser algo de que possa se orgulhar: professora. Oxalá, assim, o próximo reitor compreenda que uma universidade não se faz virtualmente, nem com tropas militares, mas com docentes, estudantes e funcionários preocupados com o ensino e com a pesquisa, e sobretudo, com fazer parte de uma menos triste humanidade. 

Adma Fadul Muhana -Faculdade de Filosodia Letras e Ciências Humanas, departamento de letras clássicas e vernáculas

Essa carta foi enviada a diversos veículos de comunicação, mas por motivos óbvios, não foi publicada.
 

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Wednesday 17 june 2009 3 17 /06 /Jun /2009 00:45

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Palestras da FUVEST

Desde 2007, coletivos, centros acadêmicos e outras organizações do movimento estudantil constroem o Ciclo de Palestras da FUVEST. Seu objetivo é criar um espaço de discussão sobre a universidade pública e sua relação com a sociedade através do debate sobre as obras que o vestibular cobra em seus exames.

http://palestrasdafuvest.wordpress.com

 
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